quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Me despedindo

Sexta-feira de manhã sairá o voo de volta pra São Paulo, então estou tentando aproveitar os últimos dias aqui.

O Aleksi anda muito ocupado tentando conciliar estudos e trabalho, então estou saindo sozinha, seja pra dar uma volta, tirar fotos, encontrar pessoas etc.

Logo mais terei de enfrentar o desafio de enfiar tudo na mala: Cometi o erro de esquecer que, se a mala estava difícil de fechar na ida, na volta será impossível. Vou deixar algumas coisas por aqui, e o pobre do Aleksi levará de volta pro Brasil quando conseguir ir pra lá. Mas, felizmente, não tenho compulsão por compras. Gosto de souvenires, em geral não muito tradicionais. As marcas "símbolo" da Finlândia, como Ittala, Marimekko e algumas outras, têm preços ainda mais altos do que a média, e eu acho a maior burrada um estrangeiro gastar dinheiro com elas. Como já falei mil vezes aqui, meu programa preferido é achar peças legais e de qualidade por alguns trocados em brechós (é um trabalho exaustivo).

Apesar de ventar muito em Helsinki, na semana passada houve alguns dias de muita neve e nenhum vento. O resultado ficou muito bonito, e aproveitei pra fotografar tudo. Ainda bem, pois, no dia seguinte mesmo, fez uma puta ventania e as árvores ficaram peladas novamente.


Já coloquei as melhores no Flickr.

Hoje à tarde encontrarei alguns amigos num dos bares baratos de Kallio (centro de Helsinki) para uma despedida. Que tristeza :(

Ps: Houve boatos sobre uma linda Aurora Boreal ontem, em algum lugar da Lapônia, entre a Finlândia e Noruega. Aqui não teve nada. Realmente é muito difícil que as luzes cheguem até a latitude de Helsinki, além de Helsinki estar sempre nublada. Bom, o inverno na Finlândia inteira me pareceu bem nublado, e esse é um dos problemas pra conseguir ver a Aurora Boreal. A coisa é bem mais complicada do que eu imaginava...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Helsinki: uma pista de patinação

Aqui em Helsinki a coisa tá complicada. A temperatura fica entre +3 e -3, e não neva, mas chove. E quando a temperatura cai até os graus negativos, as poças d´água congelam. Resultado: Uma cidade transformada em pista de patinação.
Fora isso, também tem algo bem chato, que é a neve molhada. A água faz a pouca neve que havia caído nos últimos dias ficar com a textura de pão molhado, e também suja, pela poeira da rua e dos sapatos das pessoas.
Eu fico imaginando o quanto sou capaz de escorregar na po
ça congelada e cair de bunda na neve molhada e suja. Mas, por enquanto, a patinação só provocou gritos de susto no meio da rua, mesmo.

Hoje, que choveu o dia todo, o Aleksi encontrou uma amiga na faculdade e ela comentou comigo que este está sendo o pior inverno que ela já viu. Eu, particularmente, não estou achando tão ruim
... Talvez porque estou mais acostumada com chuvas, sendo paulistana, e com chuvas muito, muito mais fortes e demoradas. O que eles chamam de chuva, no Brasil chamamos de garoa, ou até de chuvisco. Aqui, pelo que observei e pelo que o Aleksi falou, não ocorrem tempestades (adoraria saber explicar o fator climático pra isso, mas não sei).
O chão escorregadio é chato, mas não ao ponto de estragar o dia. E o tempo fechadíssimo também não é nada com o qual eu não esteja acostumada.

Refletindo um pouco, olha só, acho que esse inverno "péssimo" me traz lembra
nças de casa!

Mas, só pra lembrar, tenho certeza que a Lapônia continua linda.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ano Novo em Rovaniemi

Eu e o Aleksi fomos novamente à Lapônia no dia 30/12, e retornamos a Oulu ontem, dia 05. Ficamos na casa do pai dele.

Postei mais algumas fotos: http://www.flickr.com/photos/b_fuser/

Essa visita a Rovaniemi realmente não teve nada de especial. Apenas fizemos algumas caminhadas e vimos os fogos na Virada. Como é uma cidade muito pequena, isso foi bem rápido e bem simples.

No dia 10, voltaremos a Helsinki, o que é, em parte, uma pena, pois a Lapônia é linda, e Helsinki fica tão sem graça perto dela. Oulu não faz parte da Lapônia, mas também é mais bonita do que a capital. Ainda mais agora, que não nevou em Helsinki. A única coisa bonita no inverno é a neve! E, se Oulu e Rovaniemi são cidades pequenas e monótonas, Helsinki não fica muito atrás. Mas pelo menos tenho amigas.

Também, no dia 20/01, irei ao show da minha banda finlandesa favorita, o Viikate. Pagarei apenas 15€ (aprox. R$ 37,00), mas, em geral, ingressos de show aqui também são caros, mais ou menos o mesmo preço de São Paulo. Por exemplo: O Dream Theater vai tocar no dia 23 (eu não vou), e o preço do ingresso é 60€. Isso aproximadamente R$150,00 (e não existe desconto pra estudante, pelo que sei). Talvez em São Paulo seria até mais caro, o que é absurdamente injusto.

Dream Theater foi um exemplo pra ilustrar a faixa de preços dos shows internacionais por aqui. Mais exemplos:
Rammstein, em 15/02, por 70€ (= R$ 175,00)
Nightwish e Poisonblack, em 10/03, por 50€ (= R$125,00) (bandas nacionais)
Judas Priest, em 22/04, por 56€ (=R$140)
Black Sabbath, em 23/05, por 80€ (= R$200,00)

Também não irei a nenhum desses, terei voltado ao Brasil.
Mas fica minha indignação diante do quão absurdas são algumas coisas na minha cidade querida, na qual você paga pela cultura mais do que se você estivesse num país escandinavo.
Fonte dos preços: http://meteli.net/tapahtumahaku
Preços em reais calculados com o euro a R$2,50.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

De volta a Oulu

Voltamos a Oulu na segunda.

Tirei muitas fotos nos últimos dias: http://www.flickr.com/photos/b_fuser/

No Natal, foi tudo bem. Tudo aqui é muito tradicional. A decoração, a árvore, anjinhos nas paredes, muitas velas, alguém se vestindo de Papai Noel pra entregar os presentes... E, ah, aqui não se come peru. A tradição é comer presunto. Também parece comum comerem alce, por ser muito chique e restrito a ocasiões especiais. Como não existe criação de alces, estes precisam ser caçados na natureza (se pra vocês isso é óbvio, desculpem, eu não sabia...). Só pode caçar quem adquire a licença oficial pra isso, e o governo estabelece quantos alces poderão ser abatidos. Neste ano, foram 18. Aparentemente são 18 alces pra Finlândia inteira, e que são primeiramente distribuídos entre quem os caçou e seus familiares. Considerando que cada alce pesa por volta de 500 kg, ou até mais, 18 vezes isso dá pelo menos umas 9 toneladas de carne. Mesmo assim, não é de costume vendê-la, apesar de existir muita oferta dos restaurantes...

Este número de permissões é estabelecido de acordo com a popula
ção total de alces, de maneira que não cause desequilíbrio. Mas, neste ano, erraram um pouco na conta, e, pro ano que vem, estima-se, o número de alces que podem ser caçados cairá pela metade.

Enfim, fiquei sabendo de tudo isso na noite de Natal, que passei na casa da tia do Aleksi, porque o marido dela, vejam só, é um desses ca
çadores licenciados. Aí ele contou como funciona a coisa. Não vou entrar na discussão ética sobre caçar um animal, digo apenas que, pelo que ele contou, os alces são mortos para virarem comida, e não pelo simples prazer da caça. Aliás, quando eu perguntei se todos os animais mortos eram comidos, a reação dele foi rir e dizer "Sim, por que você achava que caçamos os alces?!". Ah, vai saber, né?

Outra coisa sobre o Natal finlandês é o costume de visitar o cemitério no dia 24. Aqui são deixadas nos túmulos apenas velas de 7 dias, dentro de potes de vidro ou de plástico. Não sei se no verão também deixam flores. Também, pelo que observei, a visita é muito rápida, sem orações, clima fúnebre, nada.
De qualquer forma, achei os cemitérios finlandeses muito bonitos. Todas as lápides ficam no solo, na vertical, são de mármore escuro e têm mais ou menos 50 cm de altura, e levam o sobrenome da família em destaque. Então, todos os túmulos são muito parecidos e muito simples.


Também tem um lugar pra quem está longe da cidade onde está o túmulo da família poder deixar velas também
:


No Flickr tem fotos melhores.

Volto a escrever quando souber dos planos para as próximas semanas...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Lapônia

Estou saindo daqui a pouco para Vikajärvi/Rovaniemi. Acho que desta vez terei acesso à internet por lá, então vou deixar as mensagens de boas festas para a hora certa...

Meu pé está bem melhor, agora que passei dois dias sem ficar andando por aí.

Agradeço a quem me mandar notícias por e-mail ou comentando aqui também, ok? Mas vou, de qualquer jeito, mandar uns e-mails nos próximos dias.

Abraços!
Bia

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tendinite, brechó, entre outros

Estou com um começo de tendinite no pé direito. A mãe do Aleksi fez o diagnóstico e recomendou o tratamento (como está muito no começo, por enquanto é suficiente fazer compressas de gelo). Faz uma semana que meu tornozelo começou a inchar, e vem doendo desde então. Ainda bem que foi fácil de resolver, nem precisei recorrer ao seguro saúde (por enquanto, pelo menos).

Não sei como isso foi acontecer, já que não pratico esportes, não corro, não faço academia, nada, nem andar muito eu ando. Talvez tenha sido o aperto no avião. Talvez seja a falta de uso mesmo.

Mudando de assunto: Hoje, eu não aguentava mais ficar em casa e fiz o Aleksi me levar num brechó. Num país rico, os brechós deveriam ser interessantes, pois as pessoas teriam mais coisas novas pra vender. No entanto, nos dois brechós que fomos hoje, foi meio decepcionante. No primeiro, as roupas eram todas muito velhas, e os donos estipulavam o pre
ço que queriam e perdiam a noção. Até achei uma bolsa legal, mas, no caminho até o caixa, a etiqueta com o preço e o código de barras caiu e eu fiquei com preguiça de sair procurando (também, meu pé estava doendo).

Aqui, o Aleksi contou que os brechós enfrentam o problema das pessoas roubarem as coisas, então, dependendo do lugar, colocam aquelas etiquetas com detector, identificam com código de barras etc. Super profissional. Mas é tão estranho ver roupas velhas, caindo aos peda
ços, tão protegidas contra roubo... A maioria das roupas deveria ter preço negativo (tipo o dono pagar pra você levar).
No Brasil certamente também devem roubar roupas dos brechós, mas não fazemos nada a respeito.

O segundo era o brechó do Exército da Salva
ção, mas o espírito natalino não foi suficiente para me fazer comprar algo lá. Como parte da renda é destinada à caridade, achei que eles pesam no preço pra compensar. Eu sei que eu sou pão dura, certamente minha frase preferida é "tá caro", mas realmente não tinha nada que valesse a pena. Talvez em Rovaniemi tenha algum brechó bom, mas a cidade campeã é mesmo Helsinki. É lá que fazem feiras nos finais de semana com coisas novas e baratas. Oulu decepcionou, e meu pé está magoadíssimo comigo pelo dia de hoje.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fotos

As fotos deste ano: http://www.flickr.com/photos/b_fuser/

As fotos do ano passado: http://www.flickr.com/photos/bfuser/

Com neve: http://www.flickr.com/photos/bfuser/5503136855/in/photostream (mar./2011)

Sem neve: http://www.flickr.com/photos/b_fuser/6539834245/in/photostream (dez. 2011)

Segundo o que me contaram aqui, o começo do inverno passado foi anormalmente frio, e o desse ano, anormalmente quente.

Aqui em Oulu já está nevando (ainda não tirei fotos daqui), mas está por volta de 0 grau. Os lagos e rios do norte também não congelaram ainda, então, a mãe do Aleksi contou que as renas, alces e outros animais, que costumam atravessar os lagos congelados, estão caindo lá dentro e morrendo afogados. Tudo bem que aquele frio de -20 é horroroso, mas, veja só, tem um lado bom...